quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Show Banda Afro Akomabu


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Acarajé de Oyá


Desfile Afro Pedra Rara 2014



Desfile Afro Pedra Rara 2014. Sexta, 21/11, 18h30, no Beco Catarina Mina, Reviver, São Luís - MA.

O Desfile Afro Pedra Rara 2014 é um evento cultural voltado para a valorização da estética e da identidade de matriz afro-maranhense. Seu objetivo é trazer a auto-valorização da população negra a partir do reconhecimento de sua contribuição para campos como o vestuário, os penteados, a joalheria, a dança, a música, os acessórios, dentre outros elementos que apesar de sua beleza e de sua representatividade histórica não possuem a devida visibilidade na grande mídia, sendo pouco trabalhados no mundo fashion.

A iniciativa conta com a colaboração de empresas e profissionais das áreas de Moda e Estética, grupos culturais afro e instituições do Movimento Negro, todos unido no sentido de construir um evento que revolucione a cena fashion no Maranhão. O Desfile Afro Pedra Rara 2014 está inserido na programação da Semana da Consciência Negra idealizada conjuntamente às organizações do Movimento Negro como forma de comemorar esta importante data.

Atrações confirmadas:

Performance
Deusas de Olorum
Rosana Alves
Walkerleny Soeiro
Carlos Benedito
Célia Sampaio Dm Reggae
Banda Negrart
Swing das Leoas 

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Desfile Afro Pedra Rara 2014, dia 21/11, 21:00 no Beco Catarina Mina, Paraia Grande, São Luís - MA






O Desfile Afro Pedra Rara 2014 é um evento cultural voltado para a valorização da estética e da identidade de matriz afro-maranhense. Seu objetivo é trazer a auto-valorização da população negra a partir do reconhecimento de sua contribuição para campos como o vestuário, os penteados, a joalheria, a dança, a música, os acessórios, dentre outros elementos que apesar de sua beleza e de sua representatividade histórica não possuem a devida visibilidade na grande mídia, sendo pouco trabalhados no mundo fashion.

A iniciativa conta com a colaboração de empresas e profissionais das áreas de Moda e Estética, grupos culturais afro e instituições do Movimento Negro, todos unido no sentido de construir um evento que revolucione a cena fashion no Maranhão. O Desfile Afro Pedra Rara 2014 está inserido na programação da Semana da Consciência Negra idealizada conjuntamente às organizações do Movimento Negro como forma de comemorar esta importante data.

Para maiores informações sigam o evento e curtam a página do Salão Afro Pedra Rara no Facebook.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Professor Luiz Alves é homenageado em seu ato de aposentaria


Lotado no Departamento de Patologia da UFMA, “Doutor Quilombola”, como é conhecido Luiz Alves, ocupou vários cargos importantes dentro e fora da universidade

SÃO LUÍS – O professor do Departamento de Patologia da Universidade Federal do Maranhão, Luiz Alves Ferreira, recebeu na última quarta-feira (13), uma homenagem do reitor Natalino Salgado durante a entrega de seu documento de aposentadoria da universidade, depois de 43 anos de sua conclusão do curso de Medicina na UFMA, em 1971. Este ato simbólico aconteceu na sala de reuniões da reitoria, na presença do vice-reitor, Antonio José Silva Oliveira e de vários amigos e familiares, como reconhecimento da sua contribuição na instituição para o desenvolvimento da ciência e da sociedade.

O reitor Natalino Salgado falou das qualidades do professor e contou que gostaria sempre de homenagear profissionais de grande dedicação. “O professor Luiz Alves é um profissional de qualidade que deu muita contribuição para o crescimento desta universidade. É uma referência a ser seguida”, destacou.

Luiz Alves Ferreira dedicou a homenagem a todos os seus ancestrais do quilombo e indígenas. “Esta homenagem é para os meus ancestrais de quilombo, indígenas e a todos os colegas de luta para uma sociedade mais justa”, contou. O homenageado ainda declarou que este ato é uma mudança de etapa e que ele continuará a contribuir na universidade, dando aula nos cursos de Medicina no Campus de Pinheiro e Imperatriz, como professor voluntário.

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência no Maranhão também fez uma homenagem especial ao professor Luiz Alves na sede regional da organização, onde o entregaram prendas como reconhecimento de sua contribuição ao desenvolvimento da ciência.

O professor

O professor Luiz Alves Ferreira nasceu no Quilombo Saco das Almas, no município de Brejo, localizado há 318 quilômetros de  São Luís e concluiu sua em graduação Medicina pela Universidade Federal do Maranhão em 1971. Especialista em Patologia pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP, Luiz Alves fez seu Mestrado em Patologia Humana pela Universidade Federal da Bahia em 1992.

Professor Adjunto IV, lotado no Departamento de Patologia da UFMA, “Doutor Quilombola”, como é conhecido Luiz Alves, ocupou vários cargos importantes dentro e fora da universidade. Desenvolve linhas de pesquisas em Patologia de Doenças Infecciosas e Parasitárias; Patologia de Doenças Crônico-degenerativas; Saúde da População Negra: anemia falciforme e hipertensão arterial; e doenças por contaminação ambiental (agrotóxicos).

É o atual secretário regional da SBPC-MA e membro do Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia do Maranhão. Também membro do Comitê Técnico de Saúde da População Negra do Ministério da Saúde; membro do Conselho Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República; Chefe do Departamento de Patologia da UFMA; Chefe do Serviço de Patologia do Hospital Universitário Presidente Dutra; membro do Conselho Estadual de Recursos Hídricos, representando o Centro de Cultura Negra do Maranhão – CCN-MA, de 2012 a 2013; e foi presidente do Conselho Estadual de Política de Igualdade Racial do Maranhão, de 2008 a 2011.

Fonte: UFMA.br

sábado, 7 de junho de 2014

Afetividade Entre Pretas e Pretos




Dias dos Namorados chegando. Mais uma oportunidade para ressaltar a importância do reforço dos laços afetivos afrocentrados.



Curtam nosso grupo  e a nossa página  Nêgo que é Nêgo não Nega a Nêga.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Marcha do Axé afro-maranhense!!!!



O evento propõe solidarizar-se com o povo de Axé do Candomblé e Umbanda brasileira. Objetiva reunir forças contra a intolerância religiosa e os preconceitos direcionados as manifestações culturais e aos saberes do Povo negro. 

O movimento é um repúdio ao Juiz da 17ª Vara de Fazenda Federal do Rio de Janeiro, Eugênio Rosa de Araújo, que em sentença negativa dada na ação movida pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro que pedia retirada do YouTube de 15 vídeos considerados ofensivos à umbanda e ao candomblé acabou ele mesmo se colocando de maneira racista dizendo que as religiões de matriz africana não podem ser consideradas religiões.

A marcha havia sido marcada inicialmente para esta quinta, 28/05, mas a greve integral do transporte coletivo de São Luís inviabilizou o movimento, que foi reagendado.

Marcha do Axé afro-maranhense. Sexta: 06/06, 18h na Praça Deodoro.

Evento no Facebook.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Poeta Maya Angelou morre aos 86 anos nos Estados Unidos

Ela era ativista por direitos civis e foi condecorada por Obama em 2010. 
Escritora foi ícone da literatura no país; ela foi achada morta nesta quarta.

A poeta e ativista Maya Angelou participa da Convenção Nacional do Partido Democrata em Boston em 27 de julho de 2004 (Foto: Gary Hershorn/Reuters)

A poeta Maya Angelou morreu, aos 86 anos, anunciou a Universidade de Wake Forest na manhã desta quarta-feira (28). Ela foi encontrada morta por sua enfermeira, e a causa não foi divulgada. Também era conhecida como ativista pela igualdade racial, ela trabalhou com Martin Luther King e Malcom X, informa seu perfil no site Poetry Foundation. 
Admirada por diversos músicos, Maya leu um poema chamado "We had him" no funeral de Michael Jackson, em 2009. Ela também influenciou cantores como Steven Tyler, Fiona Apple e Kanye West. A apresentadora Oprah Winfrey considerava Maya sua mentora.

Maya Angelou nasceu em St. Louis, Missouri, nos EUA. Ela também trabalhou como cantora, dançarina, atriz, dramaturga e compositora. A artista ganhou o Grammy e outros prêmios em diversas áreas artísticas. Ela teve uma infância pobre, na época de alta segregação racial nos EUA. Ainda aos 17 anos, ela se formou na escola e teve um filho, Guy. Nesta época, começou a trabalhar e foi a primeira motorista negra em San Francisco, segundo o Poetry Foundation.

Como escritora, sua obra tem forte marca autobiográfica. Maya foi aclamada já em seu primeiro livro, a autobiografia "I know why the caged bird sings" (1969), que fez dela uma das primeiras escritoras negras a ter um best-seller nos Estados Unidos.

Na obra, ela se lembra de que, quando tinha apenas sete anos de idade, foi estuprada pelo namorado da mãe. O homem acabou sendo morto pelos tios de Maya, que se sentiu responsável pelo desfecho do episódio e passou os próximos cinco anos sem falar qualquer palavra.

Maya Angelou recebe a Presidential Medal of
Freedom das mãos de Barack Obama
(Foto: Larry Downing/Reuters)



Presidentes

Maya Angelou fez parte do comitê de dois presidentes dos Estados Unidos: Gerald Ford em 1975 e Jimmy Carter em 1977. Em 2000, ela recebeu a Medalha Nacional das Artes do então presidente do país, Bill Clinton. Em 2010, foi recebeu, das mãos do presidente dos EUA, Barack Obama, a mais alta condecoração civil americana, a "Presidential Medal of Freedom".

Em seu discurso na cerimônia, Obama afirmou: "Com sua poesia ascendente, sua prosa elevada e seu domínio de diversas formas de arte, a doutora Angelou falou à consciência da nossa nação. Suas palavras comoventes nos ensinaram como alcançar [o que queremos] mesmo em meio ao separatismo e honraram a beleza de nosso mundo".

No início de sua fala, Obama lembrou-se da história trágica de Maya e de como a autora foi uma influência em sua família. "Quando era uma garotinha,  Marguerite Ann Johnson sofreu trauma e abuso, que a levaram a  ficar muda", afirmou. "Mas, como performer, e finalmente como escritora, poeta, Maya Angelou encontrou a sua voz própria. É uma voz que falou a milhões, incluindo minha mãe, e esse é o motivo pelo qual minha irmã recebeu o nome de Maya."

'Emergência médica'

Nesta segunda-feira (26), em seu perfil no Facebook, a artista escreveu que teve um problema de saúde, sem no entanto especificá-lo: "Uma inesperada emergência médica me causou grande desapontamento por ter de cancelar minha visita ao jogo comemorativo pelos Direitos Civis da Major League Baseball [liga profissional de beisebol dos EUA]. Estou muito orgulhosa de ter sido escolhida como homenageada. No entanto, os médicos me disseram que não seria aconselhável viajar naquele momento. Meu obrigado a Robin Roberts por falar por mim e e obrigado a vocês por todas as suas oprações. Estou melhor a cada dia".

Autobiografias

Depois de "I know why the caged bird sings", que abarca o período até seus 17 anos de idade, Maya publicou outros seis volumes de sua autobiografia: "Gather together in my name" (1974), "Singin' and swingin' and gettin' merry like Christmas" (1976), "The heart of a woman" (1981), "All God's children need traveling shoes" (1986), "A song flung up to heaven" (2002) e "Mom & me & mom (2013).

A artista foi escolhida por Bill Clinton para ler sua primeira cerimônia de posse, em 1993. O texto original lido foi "On the pulse of morning", que também se tornou um best-seller.

Fonte: G1.com

terça-feira, 20 de maio de 2014

Juiz racista finge arrependimento, mas mantém decisão a favor do preconceito religioso

Juiz da 17ª Vara de Fazenda Federal do Rio de Janeiro, Eugênio Rosa de Araújo, reviu os fundamentos da sentença em que havia declarado que candomblé e umbanda não se tratam de religiões e sim de cultos. A mudança de postura foi anunciada no início da noite desta terça-feira (20) em nota divulgada pela assessoria de imprensa da Justiça Federal do Rio de Janeiro. No texto em que admite o erro e modifica parte do conteúdo da sentença, ele afirma que “o forte apoio dado pela mídia e pela sociedade civil, demonstra, por si só, e de forma inquestionável, a crença no culto de tais religiões”.

Eugênio Rosa, que havia sido alvo de pesadas críticas pela declaração inicial, reforça que está promovendo uma “adequação argumentativa para registrar a percepção deste Juízo de se tratarem os cultos afro-brasileiros de religiões”. Em outro trecho do novo texto, ao falar sobre religiões, ele justifica que “suas liturgias, deidade e texto base são elementos que podem se cristalizar, de forma nem sempre homogênea”. Na sentença original, o magistrado havia sustentado que, para ser considerada religião, uma doutrina tem que seguir um livro-base, como o Corão ou a Bíblia, por exemplo, o que não acontecia, segundo ele, com as crenças de matrizes africanas.

Ele não muda, no entanto, o teor da sentença em si. O magistrado reitera a negativa dada na ação movida pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro que pedia retirada do YouTube de 15 vídeos considerados ofensivos à umbanda e ao candomblé. Na mesma nota, via assessoria, o juiz federal informa que “manteve o indeferimento da liminar pela retirada dos vídeos no Google postados pela Igreja Universal e esclarece que sua decisão teve como fundamento a liberdade de expressão e de reunião”.

O autor da ação movida pelo Ministério Público Federal que pedia a retirada dos vídeos de circulação, o advogado e babalorixá Márcio de Jagun, recebeu bem a notícia. Para ele, a sociedade civil mostrou sua união e as religiões de matriz africana demonstraram que “têm força não apenas social, mas também política”. Ele ponderou, no entanto:

- O reconhecimento do erro é sempre bem-vindo, mas o ideal é que ele não fosse resultante especificamente da pressão popular e que o Poder Público reconhecesse a cultura nacional como parte de seus instrumentos. E, sabemos, a religiosidade é sempre parte da cultura. Mais felizes nós ficaríamos se ele reconhecesse que os vídeos deveriam ser retirados.

Segundo Márcio de Jagun, o ato público marcado para as 17h desta quarta-feira (21), na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio, para discutir a postura judicial, não será desmobilizado em função da mudança de postura do juiz. A intenção, agora, segundo os organizadores do evento, é avaliar as melhores formas de agir para que os vídeos sejam suspensos do YouTube.

Via: O Globo

Perfil na internet satiriza preconceito com empregadas domésticas


"Dei uma echarpe Prada para minha empregada e a anta mexicana usou como pano de chão. Que lástima." "Minha empregada é muito burra, às vezes tenho vontade de tirar essas banhas dela com uma faca de cozinha." "Minha empregada não chega, disse que está sem ônibus, minha casa está imunda, vadia, vem andando."

Acredite ou não, essas frases são reais e foram postadas publicamente no Twitter. Mas o que os autores não esperavam era que um perfil recém-criado na rede trouxesse visiblidade ao preconceito contra as empregadas domésticas.

"Meu objetivo com a página é apontar o racismo e o preconceito. Muitas vezes as pessoas nem percebem que estão sendo preconceituosas e a ideia é ajudá-las a se ligarem nisso", disse à BBC Brasil o criador da página @aminhaempregada, que em 48 horas ganhou mais de 2,6 mil seguidores na rede social.

Profissional de marketing, o dono do perfil tem 33 anos, mora em São Paulo, mas prefere não se identificar. "Não quero ganhar louros com essa história", afirma.

Ele também garante que esta não é uma campanha profissional, como a #somostodosmacacos, lançada pelo jogador Neymar nas redes sociais. Na ocasião, o que inicialmente parecia uma atitude espontânea se mostrou uma ação arquitetada por uma agência de publicidade.

"Não tem nada de profissional aqui. Minha motivação é pessoal", assegura.

Buscas

Durante semanas, o autor da página fez buscas com os termos "minha empregada" junto a palavras-chave como "burra" ou "nordestina".

"Fiquei assustado com o que encontrei. As pessoas dão esse tipo de declaração em um espaço público como o Twitter, sem controle nenhum."

Com a descrição "A chibatada é serventia da casa (contém ironia e tristeza)", o perfil retuíta mensagens postadas por pessoas de todo o Brasil.

É o caso de um jovem de Recife, que na semana passada escreveu: "Vou pegar o Nokia da minha empregada e dar um rolé, pelo menos não vou ser abordado".

Ou de uma menina de São Paulo, que postou "Mano, a paraiba da minha empregada derrubou o meu jardim zen. To p***, sérioo, nao acredito".

O criador da página afirma que não recebeu nenhuma resposta ou reclamação das pessoas expostas em @aminhaempregada.

Uma busca simples no Twitter permite encontrar algumas demonstrações públicas de apoio ao perfil. "O pior de tudo é ver que a maiorias dos racistinhas e preconceituosos são jovens, que futuro nos espera?"; "@aminhaempregada nos brinda com a verdadeira face do brasileiro. Ótimo para quem duvida da existência do preconceito" e "Sou filho de empregada e vendo os RTS do @aminhaempregada só vejo que tenho que cada vez melhorar minha postura e lutar", por exemplo.

Projeto de lei

O Projeto de Lei Complementar 302/13, que regulamenta os direitos e deveres do empregado doméstico no Brasil, tramita há quase um ano na Câmara dos Deputados.

Segundo o órgão, a última ação legislativa ligada ao tema aconteceu no final de abril, quando a pauta foi enviada ao Senado para "que seja proferido parecer às Emendas do Plenário".

Pagamento de horas extras, seguro contra acidente de trabalho, adicional noturno, indenização por demissão sem justa causa e seguro-desemprego são alguns dos benefícios que passam a ser obrigatórios em contrato. O projeto também restringe o trabalho doméstico para maiores de 18 anos e a carga horária em, no máximo, 44 horas semanais.

Fonte: BBC Brasil
Sugestão: Beatriz Palmeira

II Fórum Estadual de Educação e Diversidade Étnico-racial do Maranhão

A Coordenação do Fórum Permanente de Educação e Diversidade Étnico- Racial do Estado do Maranhão - FEDERMA e a Secretaria de Educação do Estado do Maranhão- SEDUC - MA, estarão promovendo o II Fórum Estadual de Educação e Diversidade Étnico-racial, que acontecerá nos dias 28, 29 e 30 de maio de 2014, no auditório da FUNDAÇÃO DA MEMÓRIA REPUBLICANA (CONVENTODAS MERCES) Bairro: do Desterro São Luís-MA. Neste sentido vimos através deste, convidar V.S. para participar do referido evento.

Certo de poder contar com vossa participação, manifestamos votos de estima e elevada consideração. Favor confirmar participação, através dos contatos abaixo: E-mail: federma20@hotmail.com / botelho@ifma.edu.br.

Respeitosamente,

João Batista Cardoso Botelho
Coord. Geral do FEDERMA.



segunda-feira, 19 de maio de 2014

CNJ deve investigar juiz que nega status de religião às religiões de matriz africana



Líderes do movimento negro e parlamentares pedirão ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que investigue o juiz Eugênio Rosa de Araújo, da 17ª Vara Federal do Rio. Ele causou revolta ao afirmar que a Umbanda e o Candomblé não são religiões. 

Em decisão do último dia 28, o magistrado considerou que as crenças afro-brasileiras “não contêm os traços necessários de uma religião” e indeferiu pedido de retirada do ar de vídeos no YouTube com características discriminatórias e difamadoras.

O deputado Edson Santos (PT-RJ), ex-ministro da Igualdade Racial, acusou o juiz de estimular o preconceito contra os cultos afro-brasileiros e defendeu que ele seja alvo de representação no CNJ.  “A decisão foi absurda e lamentável, porque fere a Constituição. Na prática, o juiz pode dificultar que as religiões de origem africana tenham acesso aos mesmos direitos das outras, como o Cristianismo e o Judaísmo”, disse.

O petista também quer que a Comissão de Direitos Humanos da Câmara convide o juiz a se explicar. No Rio, entidades do movimento negro organizam um protesto contra a decisão judicial para a próxima quarta (21), em local a definir.

“Se o juiz tivesse simplesmente negado que havia ofensa nos vídeos, já seria lamentável, mas ele foi além. Resolveu ditar o que seria ou não uma religião, o que nos pareceu um absurdo”, afirmou o procurador Jaime Mitropoulos. Procurado, o juiz Eugênio Rosa de Araújo preferiu não comentar sua decisão.

domingo, 4 de maio de 2014

Negros são menos de 18% dos médicos e não chegam a 30% dos professores universitários

Apesar de majoritária entre os brasileiros, população negra ainda responde por 30% do funcionalismo, segundo pesquisa da UFRJ; sucesso nos concursos, mesmo com as cotas, depende de mais investimentos na educação pública


São Paulo – A população negra, que responde por 50,7% dos brasileiros conforme o Censo 2010 do IBGE, ocupa apenas em torno de 30% do funcionalismo brasileiro nas esferas federal, estaduais e municipais. A informação é dos pesquisadores do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (Laeser), do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Em 2010, dos pouco mais de 180 mil funcionários públicos estatutários que ocupavam posições de diretores e gerentes, a maioria era branca: 64,1%. Os pretos e pardos, 34,8%.

Entre os profissionais das áreas científicas e intelectuais (1.600.486 estatutários), a participação de negros subia para 37,6%. Mas especificamente entre os médicos, esta proporção não chegava a um quinto, equivalendo a 17,6% do total. Entre os professores universitários, não alcançava um terço do total.

A participação negra, conforme os pesquisadores do Laeser, aumenta entre as ocupações de menor prestígio e remuneração. Entre os profissionais técnicos e de nível médio correspondiam a 44,5%. Já entre os empregados em ocupações elementares, o percentual era de 60,2%, aumentando entre os coletadores de lixo e de material reciclável: 70,2%.

Para os pesquisadores, as discrepâncias refletem as desigualdades de cor ou raça no mercado de trabalho brasileiro como um todo. Assim, mesmo no setor privado, é habitual encontrar trabalhadores brancos em posições e grupamentos ocupacionais mais prestigiados e melhor remunerados. O inverso ocorre entre os trabalhadores pretos e pardos.


No final de abril, a comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou o Projeto de Lei 6.738/13, que reserva 20% das vagas em concursos públicos federais para afrodescendentes nos próximos dez anos. Em artigo divulgado esta semana, o Laeser considera que o PL é meritório em seus princípios fundamentadores. A justificativa é que, por conta das desigualdades nos anos médios de escolaridade, menor acesso a informação inclusive sobre concursos e a perspectiva de aprovação em concursos públicos.

No entanto, em artigo divulgado esta semana, o Laeser defende que é preciso saber diferenciar a necessidade de ampliação da presença relativa de pretos e pardos entre os funcionários públicos de todo o país e a efetiva capacidade do projeto para esse fim. Ou seja, o que se coloca é que este percentual (20%) se apresenta como modesto mesmo com essa população concorrendo ao mesmo tempo pelo sistema de reserva de vaga e o de ampla concorrência. 


Indicação: Ana Paula Corrêa

sexta-feira, 2 de maio de 2014

‘Se alguém me jogar banana, vou matá-lo’, diz Balotelli, sobre racismo

Atacante italiano se pronunciou após declarações de Sol Campbell, que alertou sobre manifestações racistas durante a Eurocopa

Balotelli frisou que não admitirá racismo durante a
Euro (Foto: Getty Images)

Uma das atrações da Itália na Eurocopa, que terá início no próximo dia 8 na Ucrânia e na Polônia, Mario Balotelli deixou claro que não admitirá manifestações racistas direcionadas a ele. Após as declarações do ex-zagueiro da seleção inglesa Sol Campbell, que defende um boicote à competição por esperar atitudes desse tipo, o atacante do Manchester City enfatizou que não pensará duas vezes se for provocado.

- Se alguém me jogar uma banana na rua ou no campo, eu serei preso, porque irei matá-lo – disparou Balotelli em entrevista ao jornal britânico “The Guardian”.

O polêmico atacante do City já viveu episódios de racismo em sua carreira. Antes da Euro sub-21, em 2009, pessoas atiraram bananas em direção ao jogador que estava em um bar em Roma.

- Foi sorte a polícia ter chegado rápido, porque eu teria acabado com eles – enfatizou.

sábado, 26 de abril de 2014

Eleição de Lupita como mais bonita do mundo "revolta" Felipe Neto

A vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo filme 12 Anos de Escravidão, Lupita Nyong'o foi eleita pela revista People como a Mulher mais Bonita do Mundo. A eleição obviamente despertou comentários, sendo inclusive alvo de "críticas" do vlogueiro Felipe Neto no Twitter e em seu canal no Youtube.








Fica a pergunta: qual o conhecimento desse rapaz (que com certeza é mais um daqueles "não racistas") para opinar sobre a questão da "imposição" de usar o cabelo afronatural?  Estaria ele a par dos riscos à saúde e das provocados pelas várias técnicas de alisamento? Deve considerar que libertário é defender o "direito" de adquirir corte químico, câncer, miomas, intoxicação e outros efeitos do alisamento.Ou é apenas mais um daqueles que considera normal negr@s alisando e praticamente inexistirem pessoas brancas com tranças e outros penteados afrocentrados? 

Certamente ignora também a importância da visibilidade de pessoas negras para a construção da identidade e da auto-estima. Deve considerar normal o pouco espaço ocupado pela população negra na mídia.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

II Seminário África-Brasil - de 21 a 24 de Maio na Universidade Federal do Maranhão




APRESENTAÇÃO

A UFMA possui atualmente cerca de 40 estudantes africanos. É com o intuito de realizar uma discussão que envolva alunos africanos e brasileiros e que permita entender a complexidade das relações sociais em África que o Seminário África-Brasil se justifica. É preciso que as universidades brasileiras abram mais espaço para essa discussão para que os estereótipos sejam desconstruídos e deem lugar a reflexões que avancem na produção do conhecimento e nas discussões sobre cidadania.

A universidade cumpre um papel importante nesse sentido. Por isso, a necessidade de fomentar espaços de discussão como o proposto nesse projeto. A temática desse evento vem ao encontro de um dos grandes desafios presentes no continente africano, a consolidação dos estados-nação e afirmação de políticas públicas as populações do continente.

OBJETIVOS

- O Seminário África-Brasil tem como objetivo principal promover o debate acadêmico entre intelectuais africanos e brasileiros acerca das temáticas referentes ao continente africano e à presença africana no Brasil;

- Incentivar discussões e divulgar pesquisas referentes ao continente africano na semana da África;

- Possibilitar a capacitação de estudantes brasileiros e africanos no que se refere aos estudos africanos;

PROGRAMAÇÃO


21 de Maio de 2014

MANHÃ
08h00 -  Credenciamento

TARDE
16h30 - Solenidade de Abertura

18h00 -  Conferência:Emancipação da humanidade e o ensino da história de Africa
Prof. Dr. Jacques Depelchin, M.A. (History) e Ph.D. (History) pela Stanford University, com o trabalho  "From Pre-capitalism to Imperialism: A History of Social and Economic Formations in Eastern Zaire (Uvira Zone, ca. 1800-1965)” / Professor Visitante na UFBA/UEBA – Conferêncista.
Anso da Silva– Mestrando Políticas Públicas – UFMA – Debatedor.

22 de Maio de 2014

MANHÃ
09h00 -  Minicursode Crioulo
Danildo Mussa Fafina - Guiné-Bissau
Vanda Medina - Cabo-Verde

09h00 -  Minicurso – História Geral da África
Profº. Dr. José Luis Cabaço

09h00 – Oficinas
1- Tranças africanas
Mary Belo
Aivandra Menout
2 - Danças africanas
Kuduro - Osmilde Miranda e Anacleto Domingos
Gumbé - Erisangela Valentim e Anso da Silva
Kizomba - Osmilde Miranda e Anacleto Domingos

TARDE
14h00 Mesa Redonda – Políticas Estudantis e Imigração
Representante do MEC
Representante da UFMA
Representante da policia Federal, Departamento Estrangeiro
Representante dos acadêmicos africanos de PEC-G/PEC-PG/UFMA.
Marcelino Soares – Mestrando Políticas Públicas UFMA – Coordenador da Mesa

16h00 - Mesa Redonda - Políticas Públicas e Ações Afirmativas: Conexões de Saberes entre África e Brasil.
Profª. Drª. Maria Cristina Bunn - UFMA
Profª Drª. Claúdia Maiorga – UFMG
Profº. Drº. Carlos Benedito Rodrigues da Silva – UFMA
Maria Socorro Costa - Comunicação Social – UFMA
Siaca Dabó – Ciências Sociais  - UFMA – Coordenador da Mesa

18h00 - Conferência - O Preso politico faz planos? As ambuiguidades das Independências dos países africanos.
Prof. Dr. Alain Pascal Kaly - Doutorado em Programa de Pós Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento Agricultur pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Brasil(2005)
Professor Adjunto da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro -  Conferêncista.
Profª. Drª. Elizabeth Maria Beserra Coelho– Doutorado em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará-UFC, 1999. Professor Associado IV da UFMA – Debatedora.


23 de Maio de 2014

MANHÃ
09h00 -  Minicursode Crioulo
Danildo Mussa Fafina - Guiné-Bissau
Vanda Medina - Cabo-Verde

09h00 - Oficinas
1- Tranças africanas
Mary Belo
Aivandra Menout
2 - Danças africanas
Kuduro - Osmilde Miranda e Anacleto Domingos
Gumbé - Erisangela Valentim e Anso da Silva
Kizomba - Osmilde Miranda e Anacleto Domingos

TARDE
14h00 - Mesa Redonda - A visão da Mídia brasileira em relação ao Continente africano.
Roberto Prado - Diretor de Jornalismo da TV Mirante
Profª. Francisca Ester de Sá Marques - Doutoranda Comunicação Social - UFMA
Profº. Igor Bergamo dos Anjos – Doutorando Ciências Sociais UFMA
Osmilde Mirande – Comunicação Social – UFMA
Deolindo Deolino Lourenço Augusto Sá –  Comunicação Social - UFMA - Coordenador da Mesa

15h00 - Comunicações orais e paineis

18h00 - Conferência - A circulação de políticas públicas de desenvolvimento rural entre Brasil e África.
Prof. Dr. José Carlos dos Anjos - Doutorado em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil(1998) Professor Colaborador da Universidade Publica de Cabo Verde , Cabo Verde. Conferêncista
Profª. Drª. Cindia Brustolin– Doutora em Sociologia da UFRGS/Professora da Departamento de Sociologia e Antropologia. UFMA – Debatedora.

NOITE
Coquetel de encerramento


Para maiores informações acesse o site oficial do evento.

terça-feira, 15 de abril de 2014

A Paixão de Claudia




O ato público e cultural “A Paixão de Claudia”, articulado pela empresa Cubo Preto Ensino de Arte e Cultura Ltda., juntamente com ONGs, associações, coletivos culturais, empresas, órgãos da imprensa formal e informal e por profissionais de várias áreas das artes e interessados na vida em sociedade de modo geral, constitui-se como uma homenagem à mulher negra, trabalhadora e mãe brasileira, Claudia da Silva Ferreira, de 38 anos, que no dia 16 de março de 2014, foi atingida por uma bala perdida dispara por agentes da Polícia Militar do Rio de Janeiro, socorrida pela mesma ainda em vida e arrastada por cerca de 350 metros, chegando ao hospital morta e com partes de seu corpo em carne viva.

Mãe de quatro filhos biológicos e educadora de quatro sobrinhos, entendemos que o que houve configura-se como uma tragédia horrenda e, diante do silêncio com o qual a imprensa e a sociedade civil recebeu e reagiu diante desta barbaridade ocorrida com uma mulher negra que, como muitas outras alicerça o país por meio de sua força de trabalho, decidimos que era este o momento de prestar uma homenagem às muitas mães pretas que criam, educam, trabalham para a criação e educação dos filhos negros e brancos deste Brasil. Negros quando biólogos, brancos quando filhos de seus empregadores. Isso desde o século XVI. Não é aceitável tamanha anestesia diante de uma vida perdida de maneira violenta e cruel e de uma família negra destruída. E se fosse uma mulher de família branca e de classe media? Haveria maior comoção social? Acreditamos veemente que sim. Uma vida não vale mais do que outra, nós brasileiros precisamos compreender.

Desse modo, escolheu-se a data de 18 de abril por ser feriado, ou seja, não serão causados danos ao transporte da cidade e ao direito de ir e vir dos cidadãos paulistanos. Para além disso, a data relembra a Paixão de Cristo, assassinado em nome da liberdade da humanidade, levando com sua vida os pecados dos homens. Compreendemos que essa Claudia, e muitas outras Claudias, levam em seus corpos e em suas vidas cotidianas as chagas de uma sociedade desigual, que não as confere o devido valor enquanto força motriz da nação em eterno desenvolvimento e enquanto mulheres que são, seres humanos com sonhos, desejos, necessidades, direitos e deveres.

Por meio de ações e manifestações, performances e apresentações realizadas nas mais diversas linguagens das artes, nos reunimos para celebrar a mãe preta do Brasil, as famílias negras, as famílias coloridas, o direito à vida, ao respeito ao cidadão, à cidadã, aos acessos básicos ao direito de ir e vir, à saúde, à educação, à moradia, ao fim dessa condição de cidadania de segunda classe a qual está relegada parte expressiva da população brasileira. 

Definido o percurso do dia 18 de abril, nos concentraremos às 14h vestidos de preto e carregando rosas vermelhas defronte à Igreja da Nossa Senhora da Consolação. Preto em algumas sociedades tradicionais africanas remete à família, ao lar. Rosa vermelha, uma beleza que a própria natureza armou com espinhos para se proteger de seus opressores. 

Da Igreja da Nossa Senhora da Consolação, às 15h, caminharemos ao som de atabaques que invocam nossos ancestrais africanos que com seus braços, pernas, sangue e suor, erigiram o Brasil, até a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, localizada no Largo do Paissandu, onde encontra-se a estátua da Mãe Preta, feita pelo artista Júlio Guerra representando todas as mães pretas que foram e são base desse Brasil. 

No Largo do Paissandu será armado um palco no qual, das 16h às 20h, ocorrerão apresentações pacíficas, entretanto não menos indignadas e perplexas, de música, dança, artes cênicas, literatura e artes visuais, sempre com foco no tema do ato cultural porque na poesia das artes há reflexões que compreendemos como precisas e profundas.

Estimamos que desse ato cultural participem 2000 pessoas conforme confabulações entre parceiros e voluntários. 

Sem mulher negra não teríamos nada. A sociedade brasileira precisa de suas "Claudias" para continuar produzindo, criando, dançando, passeando, trabalhando, transando, vivendo. 

É hora de nos mostrarmos nesse ato cultural e artístico que não visa o "vandalismo", porque faremos o contrário do que esperam da gente de cor, faremos com arte.

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Contato para informações, colaborações, sugestões e somas – só vale somar, o Estado já subtrai o bastante: paixaodeclaudia@gmail.com

Quem não puder colaborar basta aparecer no dia 18 de abril defronte à Igreja da Consolação, às 14h, com sua roupa preta e sua rosa vermelha.

Vamos mantendo os interessados informados por aqui.

domingo, 30 de março de 2014

COTAS RACIAIS E DE GÊNERO EM CONCURSOS PÚBLICOS


Antes de iniciarem a leitura abaixo, gostaria de apresentar a família Silva e Souza.
Ela se inscreveu como cotista no cargo de Advogada Geral da União. Ele se inscreveu para o cargo de Juiz Estadual no Paraná também pelo sistema de cotas. Conheceram-se quando faziam um curso de reciclagem na área jurídica. Trocaram telefonemas e 8 semanas depois estavam casados. Hoje tem 2 filhos e esperam mais um(outra menininha). Aproveitaram a oportunidade negada há séculos aos seus antepassados e conseguiram esta importante vitória. Espero que a história da família Silva e Souza se repita em muitos lugares deste país.
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COTAS RACIAIS E DE GÊNERO EM CONCURSOS PÚBLICOS.
Por Francisco Antero Mendes Andrade.
Servidor Público.
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A Câmara dos Deputados aprovou na última quarta-feira, 26 de março de 2014, projeto que prevê 20% das vagas em concursos públicos no âmbito do poder executivo federal para quem se autodeclarar negro. A medida ainda depende de aprovação pela casa do Senado. O que é dada como certa. Segundo a Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) até o final do ano espera-se que editais sejam abertos já com os efeitos do PL 6738/2013. Após 12 anos de administração petista no executivo federal temos finalmente tal projeto aprovado.
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É de se comemorar sim, mas também é de se lamentar ter se prolongado por tanto tempo o efetivo início desta Ação Afirmativa. O governo detentor de maioria no Congresso Federal poderia ter sido mais atuante. Não foi. De certo apresentarão justificativas a demonstrar ter sido necessário um prévio debate. Um prévio debate a durar longos 12 anos... Inaceitável essa demora.
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Mas agora que o projeto está aprovado e dificilmente será modificado no Senado, cabe fazer uma prévia análise, não exaustiva, comparando-o com a Lei de cotas raciais em concursos públicos já em pleno vigor no município de São Paulo.
Em 2013 tem início a administração petista em São Paulo e de imediato é dada a largada na Câmara municipal os debates sobre a previsão de cotas raciais em concursos públicos nos limites do serviço público municipal. Pois bem, 12 meses depois o projeto encontrava-se em forma de lei, regulamentada no início do ano seguinte e em pleno vigor, Lei 15.939/2013. A lei aprovada pela Câmara municipal é mais adiantada em relação à que está tramitando no Congresso Nacional. Adiantada tendo como base alguns aspectos, quais sejam, tramitou em menor tempo até sua praticidade efetiva, nela um percentual previsto de 20%, poderia ser maior, num universo em que a população negra em São Paulo está em 35,6%. No caso do PL federal, os 20% previstos relacionam-se aos 51% da maioria populacional, os que se declaram negros no país. Nesse caso a discrepância é maior, mais injusta.
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Por derradeiro e como principal diferencial entre a legislação federal e a municipal aqui explanada, eis a boa notícia, a melhor notícia. Diz respeito um parágrafo inserido na lei municipal nos seguintes termos: “Art. 1º (...) § 3º Será garantida a equidade de gênero para composição das ocupações a que se refere a presente lei.”. Em suma, as vagas serão divididas entre mulheres negras e homens negros.
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Não vou me estender aqui apresentando a farta literatura sobre a diferença de oportunidades entre gêneros e dentro desse, também diferença de oportunidades dentro da mesma cor. Os caríssimos leitores ficam convidados a pesquisar em sites do IBGE e SEADE, por exemplo, os riquíssimos dados do PNAD e analisar como a mulher negra encontra-se numa posição tradicionalmente desvantajosa. Mesmo quando se compara a média salarial entre mulheres negras e homens negros na mesma situação laborativa, esses superam aquelas em melhor rendimento. Tendo como base essa flagrante diferença, o executivo municipal acertou muito bem em não vetar o parágrafo que impõe uma divisão de gênero nas vagas previstas para negros nos editais de concurso público no serviço municipal. Não podemos repetir aqui situações constrangedoras como a que acontece nos colegiados de tribunais federais, militares e trabalhistas brasileiros, onde dos 714 juízes e desembargadores, apenas 7 eram mulheres negras, 0,98%. Como agravante em relação à falta de sensibilidade em relação à invisibilidade, nesses colegiados seus integrantes são nomeados pelo executivo federal. Alguns casos (ministros do STF) após sabatina no Senado.
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A título de informação, a Prefeitura do Município de São Paulo neste mês de março abriu 3 concursos para áreas fiscal, jurídica e administrativa, todos para nível superior(no primeiro requerendo nível superior com qualquer formação), disponibilizando no total 268 vagas, dentre as quais 54 vagas para negros. E com a novidade de serem 27 vagas para negros e 27 vagas para negras. O país começa a ficar mais justo em cor e gênero. A luta continua.
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EDITAIS ABERTOS COM PREVISÃO DE COTAS RACIAIS:

http://www.pciconcursos.com.br/concurso/prefeitura-de-sao-paulo-sp-98-vagas

http://www.pciconcursos.com.br/concurso/prefeitura-de-sao-paulo-sp-100-vagas

http://www.pciconcursos.com.br/concurso/procuradoria-geral-do-municipio-de-sao-paulo-sp-70-vagas

domingo, 16 de março de 2014

OAB-SP pede que quadro com escravo seja retirado de fórum


A Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo pediu que um quadro que retrata um escravo negro amarrado a um tronco seja retirado do Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo. Segundo a entidade, o quadro “não reflete a condição atual da população negra” e reforça estereótipos e o preconceito “enrustido em muitas pessoas, que, ainda nos dias atuais, têm a ousadia de se referir ao negro ou negra afirmando ‘vou te colocar no tronco’”.

A entidade afirma que não há interesse em dar visibilidade à escravidão, pois ela “não é construtiva”, uma vez que vem sendo desenvolvido um trabalho de mostrar que a população negra, apesar das diferenças e desigualdade de oportunidade, “vem superando essa fase horrorosa da história”.

O ofício pedindo a retirada da obra de arte do Fórum Criminal Ministro Mario Guimarães é assinado pela presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB-SP, Carmen Dora de Freitas Ferreira. O documento foi enviado para a Associação dos Advogados Criminalistas do Estado de São Paulo (Acrimesp), que mantém no fórum o espaço Waldir Troncoso Peres, onde o quadro está exposto.

Segundo Carmen Ferreira, o motivo do pedido foi ela ter recebido diversas ligações de cidadãos reclamando que o quadro exposto retrata o negro de maneira depreciativa e faz apologia à escravidão. A advogada faz coro às reclamações. “Por que não colocam um quadro com um negro médico ou artista? Todo mundo está cansado de saber a história que o opressor escreveu”, diz.

A obra de arte, diz ela, está relembrando um sofrimento que foi imposto e contra o qual os negros sempre se rebelaram, “por isso eram açoitados e mutilados”. Agora, diz ela, é o momento das políticas afirmativas, do resgate da cidadania e do respeito que foram negados aos negros que chegaram no Brasil.

História e arte
A Acrimesp diz que vai substituir o quadro por uma obra que “retrate o negro de forma positiva”, mas considera o pedido “um disparate, totalmente sem fundamento e que busca, sobretudo, esconder nossa história”. Em ofício, o presidente da entidade, Ademar Gomes, afirma que o tráfico de escravos e os horrores que essa população sofreu nos tempos coloniais e do Império são parte da história do Brasil. “Negar essa realidade é esconder nossa própria história”, diz.



Gomes cita o pintor Jean-Baptiste Debret, que registrou os diferentes momentos da escravidão no Brasil ao longo do século XIX, como a tortura sofrida pelos escravos, no quadro Pelourinho (foto), no qual a obra em exposição no fórum paulista foi inspirada.

A obra de Debret “constitui um dos mais importantes registros iconográficos da escravidão no Brasil, uma época que certamente não queremos reviver”, aponta, antes de questionar: "Há como esconder o trabalho de Debret?"

A Acrimesp cita também autores como Castro Alves, Machado de Assis, Lima Barreto, Monteiro Lobato, entre outros, que retrataram a vida dos negros durante a escravidão ou situações de racismo e preconceito após a abolição. Segundo a entidade, se pedidos como o feito pela Comissão de Igualdade Racial da OAB-SP prosperarem, “nossos livros de História do Brasil deverão ser revistos, suprimidos os episódios em que negros escravos eram humilhados, torturados, amarrados ao poste e mortos, já que todos seriam politicamente incorretos”.

Fonte: ConJur

sábado, 15 de março de 2014

Assista ao trailer frenético da cinebiografia de James Brown Get on Up

Chadwick Boseman, que atuou em 42: A História de uma Lenda, mostra a versão dele para o Padrinho do Soul

“Ninguém me ajudou”, disse Chadwick Boseman, o ator que interpreta James Brown na cinebiografia Get on Up, que estreia em agosto nos Estados Unidos. O trailer de dois minutos e meio mostra como o cantor de soul se tornou um performer e frontman lendário, sobrevivendo a uma infância pobre e ao período que passou no reformatório onde montou um coral gospel. O clipe também mostra os shows, perseguições policiais e até um flashback emocionante da sua infância, quando a tia dele diz: “Um dia, todo mundo vai saber seu nome.” A tagline do filme é “O que você ouviu é apenas o começo.”

O longa é dirigido por Tate Taylor, que também fez Histórias Cruzadas, e além de Boseman (que interpretou Jackie Robinson em 42: A História de uma Lenda), estão no elenco Viola Davis, Octavia Spencer, Jill Scott, Lennie James (The Walking Dead) e Dan Aykroyd, entre outros. Também conta com o ator Nick Eversman ( The Runaways - Garotas do Rock, Urban Explorer), interpretando um dos produtores do filme, Mick Jagger.

A Rolling Stone EUA falou com Jagger no set do filme no mês passado, onde o vocalista dos Rolling Stones falou sobre a performance de Boseman. “É um papel muito difícil”, disse ele. “Seria mais seguro pegar alguém da Broadway que tivesse bastante experiência com canto e dança. Chad seria o primeiro a dizer a você que ele não era um dançarino. Mas depois de treinar por seis semanas, ele se tornou totalmente o personagem.

Em 2013, a filha de Brown, Deanna Brown-Thomas, disse à Rolling Stone EUA que o pai dela ficava intrigado e cauteloso com a possibilidade de um filme baseado na vida dele, especialmente porque iria dramatizar a sua vida problemática e o envolvimento com as drogas. “Papai não estava exatamente interessado que alguém filmasse a história da vida dele”, ela disse. “Ele ficava lisonjeado, mas não ficava super animado. Ele queria ter certeza de que as piores coisas não parecessem tão más.”

O coprodutor de Jagger, Brian Grazer, tenta fazer uma cinebiografia de Brown desde o final dos anos 90, quando Eddie Murphy e Wesley Snipes foram cotados para o papel do protagonista e Spike Lee ia dirigir.




Fonte: Rolling Stone Brasil

Expedição mostrando a Escravidão


Denúncia feita pela companheira Luh Souza Esta empresa organiza expedições educacionais de formas diversas, e dentre estas, sob o título de "Vivenciado a História" percorrem o caminho de nossos ancestrais durante a Escravidão. As fotos no site e na página me deixou completamente atônita, pois não é só uma simples representação teatral. Me lembrei de tempos atrás
quando os donos de um hotel fazenda recriavam o ambiente da época escravagista para ganhar dinheiro, expondo funcionários negros nesta mesma condição humilhante, dignos do Circo dos Horrores. O hotel foi lacrado e os donos presos e julgados por racismo. 

Como vamos entender isso aqui?

O site Ivian



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Torcedores fazem insultos racistas a Tinga! Real Garcilaso 2x1 Cruzeiro 2014



Fonte: Canal HQFootball

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Filme trará ator branco no papel de Lampião


O blog Melhores do Mundo.net noticiou que em 2012 o diretor Bruno Azevedo anunciou que pretendia fazer um filme sobre o cangaceiro Lampião, e algum tempo se passou sem muitas notícias…

No final do ano passado a Prefeitura Municipal de Serra Talhada (Em Pernambuco) anunciava o apoio ao filme, que não mais seria um só, mas TRÊS FILMES que seriam rodados todos ao mesmo tempo…

Bruno Azevedo convocou Paulo Goulart Filho pra fazer o papel de Virgulino Ferreira (o Lampião) e os filmes seriam “Lampião – O Filme”, “Corisco – O fim do Cangaço” e “De Virgolino a Lampião”…

Passado dois meses do anúncio pintaram mais informações sobre os filmes, ao que consta, Lampião – O Filme mostrará os eventos passados nos 10 anos em que o bando de Lampião praticou o cangaço por praticamente todo o nordeste brasileiro (entre 1927 até sua morte em 1938)…

Já Corisco – O fim do Cangaço, vai mostrar o ex-aliado de Lampião, Corisco, que separou-se do grupo de Lampião e montou o seu próprio, partindo pra uma sangrenta vingança contra as tropas alagoanas que mataram seu ex-aliado Lampião em 1938.

por fim, De Virgolino a Lampião vai contar a história de Virgulino, desde seu nascimento, a vida difícil no sertão, o assassinato dos seus pais até quando ele decide se unir ao cangaço.

No elenco já confirmado está Carol Castro como Dadá, esposa do Corisco além de Adriano Garib e Roberto Bonfim, mas se boatam o nome de Alice Braga e Rodrigo Santoro nas produções, que começam a ser filmadas no segundo semestre desse ano.

Até aí tudo bem, mas comparem fotos do ator com as de Lampião.








Tirem suas próprias conclusões.

Carla Akotirene: a Igreja Evangélica, o candomblé e as violências contra as mulheres


Carla Akotirene*

Segundo os dados do Ipea, 61% dos óbitos oriundos das violências de gênero são de mulheres negras. Contudo, permanecem, ainda, a miopia e o descaso político acerca do atravessamento da religião neste fato, tendo em vista a naturalidade e as permanências, sem perder como perspectiva ideológica a demonização das religiões de matriz africana.

Agressões e feminicídios, independentemente das classes, constituem fenômeno mundial, com repercussão em saúde e segurança pública, para os quais as intervenções do Estado requerem a interseccionalidade – abordagem prática, técnica e política cunhada pela feminista afroamericana Kimberly Crenschaw, de modo ativo para leituras sociológicas e intervenções consequentes.

Por meio da interseccionalidade entende-se que, embora resida no patriarcado a ideologia fundante de opressões contra o público feminino, as mulheres negras estão estruturalmente posicionadas em dinâmicas sociais que possibilitam as mesmas serem atingidas simultaneamente e várias vezes por marcadores sociais além da raça e identidade de gênero.

Ao olharmos para comunidades periféricas, por exemplo, percebemos a presença marcante de templos evangélicos, cumprindo o papel de poder e alcance terapêutico nas camadas médias, ao mesmo tempo proporcionando assimilações distorcidas sobre o lugar das mulheres dentro das relações sexo-afetivas quando permeadas por violências.

Se junto à conquista da Lei Maria da Penha, os movimentos de mulheres e feministas demandam uma atuação antirracista e antissexista nos expedientes profissionais de acolhimento às vítimas de violência, urge, também, entender na referida formação das/dos profissionais a importância da interseccionalidade.

De nada adianta acolher, escutar e encaminhar com celeridade as mulheres vítimas de violências à rede de atenção/proteção social cuja visão técnica não seja holística e integralizada. Se o olhar institucional não intuir haver nos contextos de violência o protagonismo de agressoras de arquétipo é viril.

Quantas mulheres diariamente deixam de apresentar queixas contra agressores porque na acepção cristã, toda a mulher sábia deve edificar a sua casa, e somente a tola com a denúncia a derrubará com as próprias mãos (Provérbio 14:1)? Quantas apresentam em serviços de saúde falas referentes às lesões provocadas por supostas irmãs, na verdade, namorados?

De cada 5 (cinco) atendimentos realizados às mulheres estupradas ou agredidas pelos companheiros, em três se verifica a ocorrência do discurso religioso, como desagregador da ruptura com o ciclo de violência e para uma denúncia justa.

Mulheres de candomblé, com uma frequência menor que as neopentencostais também apresentam discursos atenuantes à violência de seus companheiros, sob a justificativa de estarem estes em falta religiosa com determinado orixá; que após a iniciação, a paz espiritual favorecerá o fechamento do ciclo da violência.

Por outro lado há mulheres com a religiosidade identificada às santas e orixás guerreiras, não suscetíveis, portanto, a aceitação passiva de subordinações. E desta forma assinalam: “Somente Oxum pode me fazer chorar”. “Iansã, minha mãe, é guerreira, não deixará depender dele para nada”. “Bateu! descontei, pois sou de Santa Bárbara!”.

Importante para o atendimento à mulher vítima de violência a abordagem multiprofissional. Capaz de orientar a delegacia, porém atenciosa à orientação não jurídica das ialorixás que ao tomarem conhecimento de episódios violentos, indagam as entidades protetoras, buscam resolutividades de natureza penal, mas não exclusivamente do direito.

Manifestas pelo racismo e sexismo institucionais fracassam as instituições todas as vezes que privilegiam como único protocolo de atendimento a sabedoria do médico, a natureza estritamente curativa, a orientação fim para a delegacia, para um novo contexto de violência, apressado e sem qualquer medida protetiva.

Falha a instituição de  saúde quando na notificação não toma como dado estatístico a identidade religiosa da vítima. Negligencia as/os gestores/gestoras sobre o cenário epidemiológico do perfil de mulheres negras ou não negras fadadas pela religião aos ciclos de opressão.

Os prestadores de serviços precisam de entendimentos raciais, de gênero e identidade religiosa. Lentes para enxergar além das marcas visíveis; indagar e construir silêncios e empatias. 

As/os profissionais da saúde e operadores do direito precisam de luz. Obrigam-se a estas categorias acenderem velas para instrumentalizações capazes de perceber masculinidades violentas, seus pontos de partida, condições religiosas e psíquicas, subjetividades, porque a religião e seus saberes marginalizados podem  ajudar na manutenção ou ruptura das mulheres com as violências de gênero.

* Carla Akotirene  é assistente social da Secretaria Municipal de Saúde e mestra em Estudos sobre Gênero e Mulheres pela Ufba

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Aos 82 anos, morre o teórico cultural Stuart Hall


O teórico cultural jamaicano Stuart Hall morreu aos 82 anos, devido a complicações de saúde. Ainda não há divulgação do horário da morte.

Hall cresceu em Kingston, na Jamaica, e estudou em Oxford, na Inglaterra, onde se estabeleceu como um dos principais sociólogos do país. O teórico foi convidado por Richard Hoggart a ser um dos pesquisadores do Centro de Estudos Culturais Contemporâneos, na Universidade de Birmingham, ainda 1964. Seis anos mais tarde, ele se tornou diretor do Centro.

No Brasil, Hall é conhecido pelos livros Identidades Culturais na Pós-Modernidade e Da Diáspora: Identidades e Mediações Culturais. Tanto em sua carreira acadêmica como em debates públicos, o autor se preocupava em discutir as dimensões político-culturais da globalização e os movimentos anti-racistas.


No ano passado, o intelectual ganhou um importante documento sobre sua vida: The Stuart Hall Project. Com imagens de participações de Hall na televisão e gravações de entrevistas em rádio, o filme é um documentário sobre sua vida, pensamento e ativismo.

Assista ao trailer de The Stuart Hall Project:


Fonte: Zero Hora

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Será mesmo que algumas mulheres brancas estão preferindo homens negros? por Gilson Rego

Estranhamente não se ouve falar de qualquer trabalho jornalístico ou de pesquisa acadêmica e muito menos um simples texto de poucas linhas, cujo enfoque gire em torno da “preferência” feminina branca por homens negros.
Os relatos têm mostrado o incômodo de certos jornalistas, a maioria de cor branca, passando por boa parcela da classe média, aquela que comanda o país desde o século XVI, portanto branca também, juntamente com os comentários de pessoas do senso comum, chegando às pesquisas e discussões dos movimentos negros, atores estes que deram visibilidade ao tema com maior intensidade e qualidade nas investigações.

Virou moda escrever e falar das relações afetivas dos homens negros que quando ascendem, social e economicamente buscam, em sua maioria, parceiras brancas, principalmente aquelas com cabelos quimicamente modificados. Porém, quase sempre tal busca costuma aparecer na literatura e em diversos espaços de discussão, em tom de acusação e repudio a exemplo do texto, publicado recentemente pelo jornalista Paulo Nogueira.

O material de título “De Pelé a Joaquim Barbosa, é sempre a mesma coisa”, o qual apesar de expressar um pouco a falta de criatividade por parte do autor, pelo simples fato de o texto, não acrescentar outras informações, é também muito parecido com o livro da pesquisadora e mestre em Ciências Sociais, Claudete Alves, “Virou Regra?”, que aborda a temática em questão.

Quanto ao recorrente repúdio de boa parcela da classe média, inclusive de alguns jornalistas, até se entende, haja vista, quase sempre se tratar, daqueles privilegiados secularmente; os quais acreditam ser uma grande “violação de espaço”, o homem negro, ou mulher negra, buscarem pessoas “pertencentes” a aquele grupamento racial, o qual costuma ser visto como ocupantes de posições ou “hierarquias superiores” na sociedade brasileira. Afinal, no imaginário do racismo, prevalece a fantasia na qual as mulheres e homens brancas(os) devem “pertencer” e se relacionar, apenas neste grupo (endogamicamente). Sendo assim, qualquer procedimento diferente, costuma deixar os homens deste grupamento um tanto fragilizados ou confusos, frente a seus machismos estabelecido ao longo dos séculos.

Mas deixando a digressão dos incomodados de lado, o fato que chama mais atenção, diz respeito ao lugar em que o homem negro está sendo colocado.

Quando lemos pesquisas, artigos e correlatos, a impressão que se tem é a ação deste se tratar de um comportamento unilateral, por parte somente do homem negro, ficando a mulher branca totalmente passiva, como se fosse uma verdadeira vítima do “negão” que só quer “brancona”.

No entanto, em se tratando de relacionamentos interpessoais e racial, chega a ser uma contradição de grande dimensão, este silencio quase unânime, da sociedade, inclusive dos movimentos sociais em relação a boa parcela de mulheres brancas as quais por algum ou diversos motivos estão “preferindo” homens negros, após a ascensão destes, claro. Então, talvez seja interessante para efeito de contribuição junto a este debate, se levantar algumas hipóteses.

Segundo dado divulgado pelo IBGE em 27|12|2013, no Brasil existem 5,2 milhões de mulheres a mais do que homens. Além disso, a homossexualidade de uma forma geral tem sido bem mais aceita que décadas atrás, deslocando, consequentemente, inúmeros homens os quais outrora se apresentavam socialmente casados com mulheres (vários casamentos de fachada); em direção aos relacionamentos com outros homens, deixando assim um número crescente de mulheres sem pares amorosos. Diferente da homossexualidade feminina a qual tem se apresentado “assumidamente” em menor escala, talvez até por conta do machismo ainda imperante, em comparação a sua contraparte.

Sendo assim:

1)Poderíamos então deduzir ou inferir que a falta de homens no mercado amoroso, estaria de alguma maneira influenciando a inclinação de mulheres brancas em busca de homens negros, os quais ascenderam cultural e muito mais economicamente? Sim ou não? Outra questão também de ordem relevante seria o fato de, na hierarquia das representações sociais e\ou de poderes, ou seja, em termos de valorização
salarial, preferência dos órgãos empregadores, maioria na política; nos cargos de chefia e também nos papéis de mocinho nas TVs, entre outros ( quando se refere a cor e gênero), costuma-se encontrar a seguinte configuração: primeiro lugar ,aquele que é homem e branco, segundo mulher branca; terceiro homem negro, quarto e último lugar, mulher negra. Sendo assim e a partir desta classificação:

2)Estariam estas mulheres brancas procurando os homens negros, entre outros aspectos, para fugir da esfera do machismo do homem branco que tem sido colocado como insuportável, diante das conquistas femininas na atualidade? O fato inclui o quesito cor, em que elas, as brancas, seriam as ocupantes da segunda posição da escala social, agindo, portanto, com determinada hegemonia na relação, como se pode verificar na expressão do ditado popular “na casa da branca o negão não canta de galo”, seguida de outra por demais conhecida no país símbolo da democracia racial “gosto de namorar negro porque ele só faz (sexo) quando a gente quer”.grifo nosso. Já com o branco a gente tem que fazer quando ele, (o homem branco) quer”.grifo nosso. Tais comentários expressariam, de alguma forma, a representação de determinado “poder” alcançado por estas mulheres ao se relacionarem com homens negros?
E por último:

3)Por quais razões alguns homens brancos que se sentem “incomodados” ao ver homem negro com mulher branca, principalmente se esta for vista como “muito atraente” ou “muito bela” costumam, quase sempre, dirigir seus comentários, desqualificantes, ao negro e nunca questionam a mulher branca?
Pelo visto e a partir do exposto acima, consegue-se perceber a complexidade da questão deste mercado afetivo, no qual ao se deixar de avaliar algumas nuances, corre-se o risco de apresentar certas “realidades” um tanto parcializadas. Ainda que seja impossível não se levar em consideração, a preferência de homens negros pós ascensão, por parceiras brancas, haja vista a quantidade de pesquisas , com apresentação de dados comprobatórios.

Contudo só falar das “investidas” destes homens, poderá representar uma pequena e limitada parte desta “realidade” a qual se manifesta cheia de recortes.

Mas voltando às hipóteses, verifica-se a diversidade de elementos que precisam ser analisados e investigados ; mas que o racismo
juntamente com o machismo conseguiram colorir e evidenciar apenas um. Fica deixando o outro ou a outra quase sem cor e em um lugar de omissão e passividade vitimista, contraditoriamente, em um momento de grandes conquistas da mulher em todo país.

Assim, no momento em que se ouve “os negros é que são racistas”, coincidentemente os únicos “coloridos” da sociedade é que recebem tal
apelido. Enquanto isso, os demais (não negros), permanecem descoloridos e, consequentemente, omissos. Afinal, como acusar alguém de racismo se esta pessoa nem ao menos possui uma cor? Assim sendo, se faz necessário observar que, em se tratando de representações sociais, uma ação é sempre função de um conjunto de outras ações, ou seja, uma dependendo e estando diretamente relacionada a outra.

Por conseguinte, se alguns “negões”, pós-ascensão profissional, estão procurando algumas “branconas” em sua maioria, é porque também estas, estão a procura daqueles, por diversos motivos. Afinal, sem uma aceitação e interesses mútuos e diante das atuais conquistas as quais refletem uma maior independência feminina, dificilmente um homem se uniria a outra pessoa a partir de um comportamento estritamente unilateral. Logo, colocar o “negão” sempre na posição de ser o único responsável pelos relacionamentos interraciais ou bicolores, pode soar como dar continuidade ao não questionamento do lugar do “brancão” nesta sociedade.

Afinal, não estamos mais naquele período em que se aplicava muito a expressão “pessoas de cor”, referindo–se aos negros e negras, deixando as pessoas brancas automaticamente “sem cor” e por isso colocadas tão somente no campo da neutralidade. Portanto, se todo processo social é
,necessariamente, também relacional, implica dizer que os diversos atores envolvidos devem ser apresentados com suas características físicas, falas, fantasias, desejos entre outros, devendo inclusive não apenas ser questionados, como também responsabilizados como reais participantes das variáveis as quais se apresentem como influenciadoras nas trocas afetivas.

Por isso, as hipóteses lançadas acima, juntamente com outras que virão, precisam ser testadas para se perceber melhor, o grau de veracidade ou não de algumas afirmações; afinal já passou da hora de se compreender também os motivos pelos quais ,de alguma maneira, inúmeras “branconas”, estão se inclinando cada vez mais para alguns “negões”, fato este que tem deixado vários “brancões” extremamente preocupados.
Gilson Rego - Professor e Psicoterapeuta

Fonte: Aldeia Nagô

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Ação de Flávio Bolsonaro derruba lei de cotas em concursos públicos no Rio de Janeiro


Em ação proposta pelo deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP), o Tribunal de Justiça do Rio declarou ontem, por 18 votos a 3, a inconstitucionalidade da Lei municipal n° 5.401/2012, que estabelecia cotas em concursos públicos no Município do Rio de Janeiro, sem critério econômico, para negros e índios.

A maioria dos desembargadores entendeu que a iniciativa de leis como essa cabe ao Poder Executivo, e não a um vereador (PCdoB), como era o caso. Dois desembargadores, que também votaram pela inconstitucionalidade da lei, entenderam que o vício era material, pois quando as cotas estão desvinculadas do critério econômico perdem seu caráter de inclusão social e possibilitam situações em que um negro rico pode tomar o lugar de um negro pobre.

"Cotas sem o critério econômico promovem injustiça e incentivam o racismo. Fico satisfeito de fazer minha parte para uma sociedade que sonha banir da sua realidade o preconceito e a distinção entre seres humanos pela cor da pele." Afirmou Bolsonaro.

A luta da família Bolsonaro continua nas três esferas do Poder Legislativo, pois o debate agora além de girar em torno da cor da pele, o PT, PSOL, PCdoB e outros, tentam a criação de cotas para homossexuais, usuários de drogas e ex-presidíários.

Fonte: Geledés

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Justiça declara morte presumida de Amarildo, desaparecido na Rocinha

Ajudante de pedreiro sumiu em julho após ser levado por PMs para UPP. Caso mobilizou ativistas pelo país; 25 policiais foram denunciados.


Amarildo era ajudante de pedreiro na Rocinha
(Foto: Reprodução GloboNews)


A Justiça do  Rio de Janeiro julgou procedente o recurso da mulher e dos filhos de Amarildo Dias de Souza e declarou a morte presumida do ajudante de pedreiro, desaparecido em julho do ano passado na Rocinha, comunidade da Zona Sul do Rio. A decisão foi unânime de desembargadores da 5ª Câmara Cível do Tribunal e divulgada nesta terça-feira (4).

A morte presumida substitui o atestado de óbito, que só pode ser emitido quando há o corpo — o cadáver de Amarildo nunca foi encontrado —, e permite à família receber pensão ou indenização, entre outras funções. Na primeira instância, a ação declaratória havia sido julgada improcedente.


Entenda o caso

Amarildo sumiu após ser levado por policiais militares para a sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) durante a "Operação Paz Armada", entre os dias 13 e 14 de julho. Na UPP, teria passado por uma averiguação. Após esse processo, segundo a versão dos PMs que estavam com Amarildo, eles ainda passaram por vários pontos da cidade do Rio antes de voltar à sede da Unidade de Polícia Pacificadora, onde as câmeras de segurança mostram as últimas imagens de Amarildo, que, segundo os policiais, teria deixado o local sozinho.

Após depoimentos, foram identificados quatro policiais militares que participaram ativamente da sessão de tortura a que Amarildo foi submetido ao lado do contêiner da UPP da Rocinha. Segundo informou o Ministério Público, testemunhas contaram à policia sobre a participação desses PMs no crime.

De acordo com a promotora Carmem Elisa Bastos, do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), o tenente Luiz Medeiros, o sargento Reinaldo Gonçalves e os soldados Anderson Maia e Douglas Roberto Vital torturaram Amarildo depois que ele foi levado para uma "averiguação" na base da UPP. Ainda segundo eles, outros PMs são suspeitos de participar ativamente da ação.

Enquanto, segundo a promotora, o ajudante de pedreiro era torturado por quatro policiais, outros 12 ficaram do lado de fora, de vigia. Oito  PMs que estavam dentro dos contêineres que servem de base à UPP foram considerados omissos porque não fizeram nada para impedir a violência. Outros cinco policiais que decidiram colaborar com as investigações disseram que o major Edson, então comandante da UPP, estava num dos contêineres, que não têm isolamento acústico, e podia ouvir tudo.

Segundo o MP-RJ, mais 15 policiais militares, entre eles três mulheres, foram denunciados pelo órgão, totalizando 25 acusados pelo crime.


Fonte: G1.com

 
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